
Um novo relatório contundente lançado hoje lançou uma longa sombra sobre as promessas ambientais das maiores empresas de tecnologia do mundo, revelando que uma maioria esmagadora das alegações relativas aos benefícios climáticos da Inteligência Artificial (Artificial Intelligence - AI) não possui fundamentação. O estudo, encomendado por uma coalizão de organizações sem fins lucrativos, incluindo a Beyond Fossil Fuels e a Climate Action Against Disinformation, acusa as Big Tech de "Greenwashing" ao confundir a eficiência comprovada do Aprendizado de Máquina (Machine Learning) tradicional com a realidade de alto consumo de energia da moderna IA Generativa (Generative AI).
Lançado para coincidir com o AI Impact Summit em New Delhi, a análise examina 154 declarações climáticas específicas feitas por gigantes do setor. As descobertas são impressionantes: 74% das alegações de benefícios climáticos da IA carecem de evidências revisadas por pares, e mais de um terço (36%) não oferece nenhuma evidência para sustentar suas promessas de redução de emissões.
O cerne da crítica do relatório reside em uma estratégia descrita pelo analista de energia e autor do relatório, Ketan Joshi, como uma "tática de desvio". O estudo revela que as gigantes da tecnologia frequentemente citam os benefícios ambientais da "IA tradicional" — como algoritmos de aprendizado de máquina usados para otimizar a eficiência de turbinas eólicas ou gerenciar redes elétricas — para justificar a expansão massiva da "IA Generativa" (GenAI).
A IA Generativa, que alimenta ferramentas como o Google Gemini e o Microsoft Copilot, exige significativamente mais poder computacional e energia do que os modelos preditivos do passado. Ao agrupar essas tecnologias distintas sob o amplo guarda-chuva da "IA", as empresas estão, na prática, usando as credenciais ecológicas de tecnologias mais antigas e eficientes para mascarar a pegada de carbono de seus novos produtos ávidos por energia.
"As Big Tech adotaram a abordagem das empresas de combustíveis fósseis — anunciando investimentos modestos em tecnologia verde enquanto seu negócio principal impulsiona as emissões — e a atualizaram para a era digital", afirmou Joshi. "Essas tecnologias evitam apenas uma fração minúscula de emissões em relação às emissões massivas de seu negócio principal."
O relatório fornece um detalhamento granular de como as alegações das Big Tech resistem ao escrutínio. Os dados sugerem uma falta sistêmica de transparência e rigor na forma como os impactos ambientais são relatados.
Tabela 1: Análise das Alegações Climáticas de IA das Big Tech
| Métrica | Estatística | Implicação |
|---|---|---|
| Alegações Não Verificadas | 74% | Quase três quartos de todas as alegações de benefícios climáticos não são apoiadas por ciência revisada por pares. |
| Zero Evidência | 36% | Mais de um terço das alegações são apresentadas sem qualquer dado de suporte ou citação. |
| Citações Enganosas | Frequente | As empresas frequentemente citam blogs internos ou relatórios de consultoria em vez de estudos científicos independentes. |
O estudo destaca uma alegação particularmente onipresente: a de que a IA poderia mitigar 5-10% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2030. Rastreando a origem desta estatística, os pesquisadores descobriram que ela não surgiu de um artigo científico, mas de uma postagem de blog de 2021 da empresa de consultoria BCG, que citou "experiência com clientes" em vez de dados empíricos. Apesar dessa base frágil, o número tem sido repetido por grandes empresas de tecnologia até abril de 2025.
O relatório atraiu reações agudas de especialistas de todo o campo. Sasha Luccioni, líder de IA e clima na Hugging Face, enfatizou que o relatório adiciona a nuance necessária à conversa.
"Quando falamos sobre IA que é relativamente ruim para o planeta, trata-se principalmente de IA generativa e grandes modelos de linguagem", observou Luccioni. Ela argumenta que a indústria tem apresentado soluções climáticas e poluição de carbono de forma enganosa como um pacote fechado, "confundindo" tipos muito diferentes de aplicações de IA para desorientar reguladores e o público.
O momento do relatório é crítico. Com os centros de dados consumindo atualmente aproximadamente 1% da eletricidade mundial, projeta-se que esse número dispare. A BloombergNEF estima que os centros de dados podem consumir 8,6% da eletricidade dos EUA até 2035, um surto de demanda impulsionado em grande parte pela proliferação da IA Generativa.
O relatório compara a estratégia de comunicação das Big Tech à da indústria de petróleo e gás. Assim como as empresas de combustíveis fósseis destacam seus pequenos portfólios de energia renovável enquanto expandem a produção de petróleo, as empresas de tecnologia estão destacando os ganhos climáticos marginais de aplicações específicas de IA enquanto sua pegada de carbono geral se expande devido ao crescimento dos centros de dados.
À medida que a corrida armamentista da IA se acelera, a lacuna entre a retórica corporativa e a realidade ambiental parece estar aumentando. Este relatório serve como um alerta para investidores, reguladores e consumidores exigirem mais do que apenas promessas vagas.
Para que a indústria de IA contribua genuinamente para soluções climáticas, ela deve primeiro reconhecer os custos ambientais distintos de suas diferentes tecnologias. Sem evidências rigorosas e revisadas por pares, e uma separação clara entre a eficiência do aprendizado de máquina e o excesso da IA Generativa, as alegações verdes das Big Tech correm o risco de se tornarem nada mais do que fumaça e espelhos digitais.