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Especialistas da UN focam na gestão da transição de IA (AI) para garantir que os trabalhadores permaneçam relevantes

À medida que a inteligência artificial permeia todas as camadas da economia global, a narrativa está a mudar da mera adoção tecnológica para um exame crítico da relevância humana. Numa atualização política significativa divulgada a 31 de janeiro de 2026, especialistas das United Nations delinearam um quadro abrangente concebido para gerir a transição da IA. A mensagem central é clara: embora a IA seja transformadora, a força de trabalho global deve adaptar‑se para garantir que os benefícios da automação superem as ameaças de deslocamento e desigualdade.

A posição mais recente das United Nations baseia‑se em anos de defesa de uma abordagem "centrada nas pessoas" ("people-first"), um sentimento ecoado pelo Secretário‑Geral António Guterres. O seu aviso de que o destino da humanidade "nunca deve ser deixado à 'caixa‑preta' de um algoritmo" continua a ser um princípio orientador para as iniciativas atuais da organização. Sob o guarda‑chuva do Global Digital Compact, as United Nations estão agora a consolidar esforços para estabelecer uma governação global ética, garantindo que a supervisão humana permaneça primordial nos ciclos de tomada de decisão das indústrias do futuro.

The ILO Forecast: Transformation Over Replacement

Uma das preocupações mais prementes para empresas e empregados é a estabilidade dos cargos de trabalho atuais. A International Labour Organization (ILO), em colaboração com parceiros de investigação globais, forneceu dados cruciais para fundamentar estes receios na realidade. De acordo com as suas conclusões mais recentes, um em cada quatro empregos provavelmente será transformado pela IA.

É vital distinguir entre "transformação" e "substituição". A ILO enfatiza que esta estatística não implica necessariamente perdas líquidas de empregos. Em vez disso, sinaliza uma mudança fundamental na forma como o trabalho é realizado. Enquanto as máquinas se destacam no reconhecimento de padrões e em tarefas repetitivas de dados, faltam‑lhes as nuances necessárias para julgamentos complexos, raciocínio ético e interações interpessoais de alto nível.

No entanto, a fricção desta transição não pode ser ignorada. O World Economic Forum estimou em 2025 que aproximadamente 41% dos empregadores estavam a considerar reduções de pessoal devido à integração da IA. Isto cria uma dicotomia onde surgem novos papéis que combinam as forças humanas com as capacidades das máquinas, mas o caminho para esses papéis exige adaptabilidade significativa. O ónus está cada vez mais a deslocar‑se para os trabalhadores, que devem envolver‑se em aprendizagem ao longo da vida, afastando‑se de percursos de carreira estáticos para trajetórias dinâmicas baseadas em competências.

Education: The Human Edge in an Automated World

Se a força de trabalho vai sobreviver a esta transição, a educação deve ser a base da estratégia. O braço educacional das United Nations, UNESCO, adotou uma posição firme de que investir apenas em tecnologia é insuficiente sem um investimento paralelo no capital humano.

Shafika Isaacs, chefe de tecnologia e IA na educação na UNESCO, sustenta que o sistema educativo global enfrenta um défice enorme, necessitando de 44 milhões de professores até 2030. A sua perspetiva desafia a visão tecnocêntrica da reforma educativa: "Acreditamos que é um erro argumentar que precisamos de investir mais em tecnologias de IA em vez de investir em professores. A IA pode gerir a transferência de dados, mas não pode gerir o desenvolvimento humano."

Esta perspetiva redefine a "alfabetização em IA (AI literacy)". Já não basta simplesmente ligar ferramentas de IA às salas de aula ou a programas de formação corporativa. A verdadeira literacia envolve compreender os mecanismos, a ética e as limitações destes sistemas. A educação é, fundamentalmente, uma experiência social e cultural, que requer orientação humana para fomentar a criatividade e as competências de pensamento crítico que a IA não pode replicar.

Bridging the Digital Divide and Human Rights

Um pilar importante do quadro das United Nations aborda a concentração de poder em IA. Atualmente, um punhado de gigantes tecnológicos domina a investigação e a implementação de ferramentas generativas. As United Nations alertam que, sem intervenção, este monopólio poderá exacerbar a desigualdade entre nações e dentro das sociedades.

Para contrariar isto, as United Nations defendem políticas que garantam que os benefícios económicos e educativos da IA sejam amplamente partilhados, em vez de confinados a uma minoria privilegiada. Isto liga‑se diretamente ao aspeto dos direitos humanos da governança de IA. Com base na Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence de 2021, a UNESCO afirma que os direitos humanos devem ser a linha de base vinculativa para todos os sistemas de IA. Ferramentas que ameacem a dignidade humana, a igualdade ou a liberdade devem estar sujeitas a regulamentação estrita ou a proibições totais.

Strategic Implications for Global Governance

A escala do desafio da IA é demasiado vasta para que qualquer governo ou entidade do setor privado a navegue sozinho. As United Nations estão a apelar a uma cooperação internacional reforçada para gerir os riscos e oportunidades apresentados por esta tecnologia. Isto envolve criar plataformas de coordenação e fomentar parcerias público‑privadas que possam financiar os massivos programas de desenvolvimento da força de trabalho exigidos na próxima década.

A tabela abaixo descreve os papéis distintos que vários órgãos das United Nations estão a desempenhar neste alinhamento estratégico:

UN Agency & Strategic Focus

Entidade Área de Foco Principal Objetivo Estratégico Principal
International Labour Organization (ILO) Transformação da Força de Trabalho Monitorizar o impacto nos empregos e promover a adaptabilidade em funções transformadas.
UNESCO Education & Ethics Defender a alfabetização em IA e fazer cumprir a Recommendation on the Ethics of AI.
UN Secretariat Global Governance Implementar o Global Digital Compact para garantir a cooperação internacional.

The Path Forward for Enterprises

Para empresas e líderes da indústria, a mensagem das United Nations serve tanto de aviso como de roteiro. A era da adoção passiva da IA acabou. As organizações devem agora participar ativamente da transição, dando prioridade a fluxos de trabalho centrados no ser humano. Isto significa ver a IA não como um mecanismo de redução de custos para substituir quadros de pessoal, mas como um multiplicador de forças que exige supervisão humana qualificada para funcionar de forma ética e eficaz.

À medida que avançamos em 2026, a diferenciação entre organizações bem‑sucedidas e em dificuldades provavelmente dependerá da sua capacidade de integrar estes princípios. Aqueles que investirem na "vantagem humana" — criatividade, julgamento e governação ética — permanecerão relevantes, enquanto os que confiarem exclusivamente na "caixa‑preta" correm o risco de se tornarem obsoletos num mundo em rápida regulamentação.

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